um ano de mestrado

10 de agosto de 2022

 

imagem: pinterest.com

eu nem lembro se eu escrevi aqui sobre a minha aprovação no mestrado, caso não, vou escrever agora pois estou inspirada. essa semana eu enviei a minha qualificação para a banca e me senti muito poderosa e com a esperança de que vou chegar muito longe. muitas vezes eu me saboto, eu não acredio em mim. e eu sei que isso é normal, eu sei muita gente também sente que não consegue, que poderia fazer melhor. estou em um momento da vida que continuo sim querendo fazer o meu melhor, mas eu não estou deixando de fazer por achar que não consigo. 


isso é uma grande mudança para mim. a minha ansiedade me bloqueia em muita coisa, mas ainda bem que nos mestrado, eu consegui fazer muita coisa que eu achava que faria melhor mas que eu não deixei de fazer. eu to me dando bem, a verdade é essa. e eu fico muito feliz em escrever isso aqui. mas tudo isso eu posso afirmar que também foi sorte, sorte em estar com as pessoas certas. tive sorte em ter uma orientadora humana, gentil, que me ajuda e me acolhe. tive sorte em conhecer e estar com as pessoas certas e posso dizer que fiz amigos. amigos que posso chamar para minha festa de aniversário para o resto da minha vida. eu espero seguir mais um ano feliz no mestrado e etc. digo etc pois eu quero mais. que bom! 

é muito ruim ver o fim chegar.

9 de agosto de 2022


fonte: https://pin.it/4P0hcYs

Minha mestra na educação, que me ensinou demais sobre como me colocar em sala com autoridade e também como ser gestora, está bem doente. Bem doente mesmo. Eu me pego muito triste às vezes pois é mais uma pessoa boa se perdendo nessa doença horrível que é o CA. Eu tento ajudá-la de todas as formas possíveis, e uma delas é fazer com que ela se sinta parte importante do nosso dia a dia e o que ela realmente é. Resolver coisas que ela pode e faz muito bem, como falar com alguns pais, dar aquele bronca na turma, falar na reunião. Ela é a pessoa que posso dizer que me ensinou quase tudo o que sei sobre como ter a confiança da equipe e ser uma boa coordenadora pedagógica. Ela está me ensinando para ficar em seu lugar, fazer como ela mas do meu jeito. Isso é lindo mas ao mesmo tempo assustador. Tô achando que essa thread é mais papo para o meu bloguinho do que para o Twitter, mas que fique registrado: eu a amo muito e cada vez que vejo que já já não vou tê-la por perto… acaba comigo.


foi isso que postei essa semana no twitter. estou em casa mais uma vez com o resultado de covid-19 positivo, mais uma vez. estou bem, sintomas muito leves, mas transmitindo. logo, tenho que ficar em casa e evitar contato com todos e todas no mundo. arrumei minha pesquisa para qualificar e já enviei para a banca, dia 29 de agosto eu vou me sentar para escutar o que preciso ou não mudar na pesquisa e como devo continar com tudo. to aproveitando esses dias em casa para organizar isso, fazer meu projeto de doutorado (não contei pra muita gente sobre isso, então se você está lendo o meu blog, meus parabéns pois você é um privilegiado). fiquei feliz com o áudio que recebi da minha orientadora sobre tudo isso, o que me deu um alívio. 


minha amiga, lucienne, antes de ser coordenadora e mestra em tudo, é minha amiga. está mal, e mesmo assim é fortaleza. mesmo assim  ela me apoia na minha caminhada, ela vai trabalhar mesmo com dor, ela vai trabalhar mesmo sabendo que esse esforço pode piorar ainda mais a sua situação. é uma força que nunca vi, talvez só em mainha... é força de mulher que já passou por muita coisa pra ser o que é hoje em dia. e eu acho que eu preciso fazer tudo o que puder para fazer com o que o tempo que ela ainda tem, seja mais fácil, mais leve. eu devo isso a ela. 


a verdade é que estou com medo. eu vou conversar tudo isso na minha sessão de análise também mas já entendi que escrever me ajuda demais. eu compreo um caderno para servir de diário. eu escrevi poucas vezes pois escrever de verdade demanda uma força maior do que digitar, são as modernidades da vida que muitas vezes mudam a forma com que lidamos com certas coisas. mas aqui no blog também é o meu diário, um diário mais exporto, lógico. mas ainda assim escrever aqui me ajuda a seguir em frente com força. 


eu preciso seguir em frente por ela, pela tia lu, minha amiga querida. ser forte por ela. 

31 anos

30 de julho de 2022

 
ilustração da @piscinhah


Acho que pelo momento que eu estou vivendo, estou começando a ver algumas coisas diferentes. Também pode ser o processo de análise, que eu já completei um ano e alguns meses. Sinto que me ajuda muito o fato de pensar nas coisas quando eu faço, não pra estar revivendo momento e pensar no que eu poderia ter feito diferente, mas me analisar como pessoa mesmo.

Acho que os 31 anos foram muito bem-vindos pra mim. Eu sempre quero escrever quando eu completar uma nova idade, acho que também isso tudo que eu sempre fiz sempre foi um processo de análise meu-comigo. Agora que eu estou percebendo isso. Que massa. 


Estou aprendendo todo dia mais a me colocar nos lugares, a falar com calma, a pensar antes de falar que é algo que pra mim é muito novo. Pensar antes de fazer as coisas. E várias vezes eu já consegui fazer uma coisa pelo meu imediatismo e quando eu penso eu volto atrás. Isso pra mim é muito lindo. Estou feliz pelos meus 31 anos.

Ansiedade.

 

gif: pinterest

bem antes da pandemia eu tive uma crise de ansiedade bem forte. lembro que acordei pingando de suor, tremendo, sem ar, o coração quase saindo do corpo, sem entender o que estava vivendo. pedindo ajuda ao meu amor. pegando na mão. buscando ajuda em um momento tenso e horrível que nunca havia vivido. foi uma crise de ansiedade. coisa nova para mim.


a pandemia chegou e parece que muita coisa mudou na nossa forma de encarar a vida e as pessoas, as relações mudaram e parece que ficamos ainda mais distantes das pessoas, e estamos achando isso já normal. não é normal, nascemos para as relações e somos sociedade por conta disso, pelas RELAÇÕES. difícil quando vejo pessoas que não respeitem a opinião do outro simplesmente por ser diferente, ou que querem que a sua opinião seja a mais importante ou a única que tenha valor ou coerência. o que aconteceu com a mesa de bar que conversava sobre política tomando cerveja e rindo? o que aconteceu com os amigos que conseguiam ter opiniões e argumentos diferentes e conseguiam conversar sem terem que ficar com raiva um do outro.

 

acho que as redes sociais também possuem grande parcela dessa culpa que carregamos. não só elas, o desejo de saber tudo e fazer tudo sempre. o sentimento de que tem horas faltando nesse dia, 24 horas não dá! estamos ficando doentes por isso. eu estou. o meu cardiologista disse que eu preciso desligar, eu preciso me desconectar, desacelerar, ou vai chegar o dia em que a chaga vai virar e eu não vou mais conseguir sem droga, sem remédio. eu não quero isso. não sou máquina, sou gente. 


não sou máquina. sou gente.

 
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