O menino que queria conhecer o sertão

24 de maio de 2016



Um céu cinzento desenhava a cidade de pedra do menino amarelo. Antenas apontadas para cima anunciavam gente com cara de tédio. Entre uma torre imensa e uma casa esmagada, era possível avistar a janela do menino de cor flava que se sentava no parapeito para espreitar o mar. Instalado no quadrado da sua torre de tijolos, ele olhava o horizonte que não saía da sua frente. Ao redor, era possível perceber olhares voltados ao punho e fumaças embaçando visões cegas. Na televisão dentro do quarto ecoavam vozes o chamando para as férias imperdíveis na praia.

Na sala, os pais reafirmavam a importância do vento bater no rosto daquele andar. Nas ruas, pessoas sorriam da água batendo no rosto. Na cabeça do menino, havia apenas um desejo: o sertão. Ele cheirava todo dia a maresia e não conseguia tirar do pensamento a fotografia que vira na internet do verde bonito da planta que embelezava aquela areia sem fim. Não conseguia parar de pensar nas palavras ligeiras que saíam das bocas dos homens e mulheres que moravam ali. 

Não tirava da cabeça a melodia estranhamente inefável que sacudia os pés dos moradores que habitavam aquele lugar. O menino sonhava com aquele azulão do mar no céu todo dia. Imaginava o calor do vento batendo nas suas mãos e implorando para cair no seu corpo. Almejava abraços conhecidos e pés descalços na rua. Sonhava com a brincadeira que poderia fazer no silêncio e como seria jogar na terra seca. O menino perguntava se a sua cor ainda seria amarela. Se sua janela ainda teria grades. Se o mundo ainda seria surdo. Se a beleza ainda seria cega. O menino queria que o mar virasse sertão.

A saga ruiva

17 de maio de 2016


Desde o final de dezembro me rendi a ruivice. Sempre quis ser ruiva mas nunca soube ao certo como fazer isso de uma maneira que realmente fosse dar certo. Primeiro de tudo, eu olhei um milhão de vídeos no Youtube sobre como pintar o cabelo de ruivo acobreado, sim, pois existem tipos de ruivas se é que você não sabia. O ruivo acobreado é aquele que puxa para o ruivo natural, aquele puxado para o laranjinha, como a Merida. O ruivo pode ficar de vários tons dependendo da luz que você está, mas acho lindo quando ele está começando a desbotar... Fica ainda mais parecido com o natural.



Agora tem uma coisa: pintar o cabelo exige cuidado e dinheiro. Para manter o cabelo sempre com uma cor bonita, é necessário estar sempre tonalizando. Eu pintei meu cabelo inteiro (raiz e comprimento) 4 vezes antes de pintar só raiz e tonalizar o comprimento. Meu cabelo é bastante escuro e precisou de mais tempo para abrir o tom pois eu não queria descolorir. A tintura já agride demais os fios, uma descoloração não ajudaria em nada.

O QUE USO PARA PINTAR:
  • 2 tubos de tinha Igora (8.77)
  • Loção reveladora (OX) de 20 volumes
  • Mix cobre Igora (0.77)
  • Creme hidratante branco (qualquer marca)



Após pintar os cabelos 4 vezes, ele chegou a ficar bastante seco e sem brilho, causa da forte agressão que a tintura faz. Por isso, comecei a tonalizar o comprimento misturando o que resta da própria tinta com um pouco de creme branco, transformando em uma hidratação. Eu passo em todo o cabelo (inclusive na raiz que já pintei antes com a mistura da tinta + ox + mix) e espero em média 25 minutos ou um pouco mais. O cabelo ficou outro depois que comecei a fazer isso. Quem me deu essa dica foi a ruiva cacheada Daianne Possoly, que eu adoro. 



AQUELA VIDA NA COR:
Também comprei para usar durante o tempo entre as pinturas o PINGA LOLA para cabelos coloridos e o queridinho GAROTA VENENO. Gente, o GV realmente tonaliza, eu só usei uma vez e na vez que usei ele segurou muito bem o tom. Misturei com creme branco também pois acho que ele fica muito forte puro, mas vou fazer o teste depois pra ver como fica ele sozinho. Ele deixa o cabelo bem hidratado também, e ele dura horrores com esse potão de 1 kg.


SOBRANCELHAS:
Na primeira vez que pintei, também tonalizei as sobrancelhas com a própria mistura de tinta que usei nos cabelos, porém minha designer Isabella, do Spa das Sobrancelhas, me disse que esse procedimento enfraquece os fios, então tive que procurar outra alternativa para harmonizar cabelo e sobrancelhas de uma maneira que ficasse tudo ok.

Para as sobrancelhas eu uso o pó da VULT na cor 6 e um pincel chanfrado para fazer a correção. Fica perfeito e parece até que eu pintei. 




Bem, o post hoje foi grande mas queria muito fazer isso. Eu também pesquisei muito antes de me aventurar no ruivo. Quem sabe se mudo novamente por agora, ou passo mais um tempo. Mas estou amando ser ruiva. Isso eu tenho certeza.


DICA IMPORTANTE ANTES DE TUDO: se você for pintar pela primeira vez, faça o teste e veja se você precisa pintar primeiro o comprimento para depois pintar a raiz. A raiz por estar no topo da cabeça tende a esquentar mais, por isso, ela irá abrir mais do que o comprimento e vai ficar muito estranho no começo. Mas tenha paciência, que você vai conseguir chegar no tom que você quer. Só tenha paciência e pesquise muito. Vai dar certo. :)



Planejando: Rio de Janeiro

5 de maio de 2016


Fiz uma promessa para mim de tentar viajar uma vez por ano. E quero muito ter saúde, vontade e grana para cumprir esse desejo. Nas férias de julho deste ano de 2016, planejei com meu namorado juntamente com a minha companheira de viagem de irmos para o Rio de Janeiro, a cidade maravilhosa. Mas uma vez, juntas, começamos a planejar tudo, olhar preços de passagens, hospedagem, passeios e tudo mais. 

Renata irá fazer um curso no Rio que irá durar vários dias, e são nesses dias que eu e meu amor passaremos uns dias lá. Mais uma vez, usamos o AIRBNB que eu já falei aqui no blog para vermos a hospedagem. Conseguimos um apê massa, perto de tudo que queremos e mega aconchegante. As passagens também estão ok, todas na promoção, o que é ótimo.




A viagem irá durar 5 dias e 4 noites, então, tem que tá tudo esquematizado e bem organizado pra dar tempo de fazer tudo. Praia, Jardim, Bondinho, Cristo, Circo Voador, bares... Vamos pra tudo que der!



Vai ser massa! 



O dia em que não fui eu

27 de abril de 2016


Engoli meu discurso ideológico e fui pra Boa Viagem presenciar o que falam por lá. De imediato senti um arrepio na alma por estar lutando contra mim. Eu não ia ser eu por algumas horas. Olhei ao redor e enquanto questionava as pessoas sobre suas posições políticas, minha atenção desviou quase que apressadamente para uma placa pendurada em uma mulher que dizia: MST, o câncer do Brasil. Meu eu quase anestesiado e adormecido começou a se rasgar procurando uma saída para viver. Eu estava sufocada em mim. Ainda incrédula pelo discurso de ódio estampado nas caras inertes ali, meus olhos marejados viam outra palavra colada em roupas pretas: REACIONÁRIOS. Eram Skinheads, atordoada, pensei. E o tempo parou, assim, diante de mim, diante das quatro horas em pé, diante do meu eu fingido. Houve um minuto de silêncio em mim e eu desabei no chão sem chão. Desabei no sangue escondido na terra. Desabei nas lágrimas de outras auroras que ali percorreram olhando pro pé com medo do que via em cima. Desabei em corpos negros pedindo clemência pra ser livre. Desabei no preconceito da igualdade que procurava reféns. Desabei. No sentido literal. Literário. Libertário. Eu não ia ser eu por algumas horas. Mas eu fui.


 
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