#OcupeEstelita, novo mundo e #ResisteEstelita

26 de junho de 2014

"É tanto absurdo que só dá pra rir.
Vejo o Facebook e, em algumas postagens, pareço enxergar um universo paralelo.
Um universo onde tem gente que acha o máximo vaiar Dilma da área VIP de um estádio superfaturado para uma Copa do Mundo. 
Gente que diz "não que eu seja diferente de ninguém aqui. Mas eu paguei mais caro". 
Gente defendendo com tanto afinco a propriedade privada e colocando-a como sinônimo de progresso, num discurso que poderia, facilmente, ter sido proferido por Vargas ou mesmo JK há mais de 60 anos. 
Gente que reproduz um comportamento condenado há tempos em países considerados avançados e de primeiro mundo. Comportamento esse que, em última instância, resultou numa crise na maior potência econômica do mundo. 
E isso tudo tentando avaliar a partir de um ponto de vista muito objetivo, racional. 
Ser a favor do Novo Recife, para mim, passou a ser uma atitude execrável e fonte de uma profunda ignorância de uma parcela da sociedade que cada vez mais se isola de informações contrárias ou não interessantes para esse universo paralelo dela.
É um absurdo defender o que for apontando o dedo pra o outro e imprimindo, sobre eles, apenas os valores que lhes forem convenientes, ignorando o cenário no qual outras partes da sociedade se inserem.
Esse é o novo Recife que tá se perpetuando."

Texto publicado no Facebook de João Holanda, no dia 
20 de junho às 12:29.


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MINHA OPINIÃO:



Eu sinceramente acho que o movimento ou o que você quiser chamar é mais do que apenas lutar pelo cais, pra que não seja derrubado, pra que o Novo Recife não continue ou comece a matar a cidade, que já está sendo esfaqueada não é de hoje, isso é mais antigo que o tio que vende pipoca na praça, acho e acredito que essa luta, pois isso é uma luta, é a favor e não contra a cidade. É uma luta  pelos direitos, cidadania, o direito à cidade. Tanto que, muita gente não foi ainda no cais (como eu - mas vendo, lendo, apoiando e querendo ir o mais rápido possível), que nem sabia que ali era o que é, e hoje está sabendo, concordando e dando mais força e valor a tudo isso que está acontecendo na cidade do Recife, assim como está acontecendo em muitas outras e outras e outras.

Foto do Facebook de Gabi Azevêdo
No meu curso, eu tive diversas disciplinas que me forçaram a pensar no coletivo, e vejo que a de Geografia Urbana foi um BOOM! na minha vida como cidadã. Tive e tenho um professor da UFPE chamado Claudio Castilho, quem conhece tenho certeza que aprendeu/aprende muito com esse cara. Ele me mostrou que para ser cidadão é preciso também participar, eu li muito isso, pois, pra quem não sabe, meu trabalho de conclusão de curso foi o seguinte: A CIDADANIA NA EDUCAÇÃO: PARTICIPAR PARA SER CIDADÃO. O título do meu trabalho foi tão amor que até rimou, notaram? E eu comecei fazendo as seguintes perguntas: Qual o nosso papel na sociedade? O que podemos fazer pela sociedade? A população de um bairro pode provocar mudanças? - Foi assim que eu iniciei meu trabalho. E quando eu vejo essas perguntas, eu penso que sim. E hoje eu vejo que pode sim. E cada dia eu tenho mais esperança que pode sim. O espaço urbano está aí pra ser mudado, é um processo, e esse mesmo espaço urbano reflete o modo de vida das pessoas em todos os níveis. 

Foto de Lua - {musadoproletariado}

Meu trabalho tinha como objeto um espaço aqui perto da minha casa que está sem uso, logo, moradores jogam lixo e a prefeitura limpa e os moradores jogam lixo e a prefeit... Mas tomo tudo que escrevi ali, que apresentei naquela sala fria pra minha banca avaliadora tomo como verdade pra o que vejo hoje. Não acho ridículo que muitas pessoas "do nada" estejam preocupados (o que não é verdade), postando coisas no Facebook, que estejam até mudando de opinião. Gente, tudo é passível a mudança, e eu digo tudo mesmo. Olha aí, depois daquela ação mais do que vergonhosa da Polícia, olha a devolução de toda essa galera que tá deixando de ir pra outros lugares pra estar ali, onde eles são extremamente importantes e valiosos e fazendo projetos, educação, mudanças e arte! Eu acho massa tudo isso que tá acontecendo, quisera eu poder ter ido antes, mas quero eu ir e eu apoio sim. Espero que isso não morra nunca, digo falando ainda mais do sentimento de pertencimento, da identidade que está sendo tatuada nos corpos de todos que estão lá ou aqui, ou em outro país, ou estão entendendo e querendo tudo isso agora. Não é tarde e não é vergonha mudar. Acima de tudo, tudo isso que está acontecendo é uma vontade de um ambiente melhor pra se viver. Estão pensando além pra aquele espaço que outrora era morto e tudo mais que saiu no comercial daquelas pessoas ricas, mas existe outra alternativa. Outras. Bem melhores. Para todos.

Foto de Rogerman.

E se você tem um pai que fala por que você quer protestar, que já deu um grito em você que todo mundo da rua ouviu quando você chegou de um protesto com o rosto pintado, que você vai levar um "bombão na cara", um "carrerão" da polícia, vai "morrer cedo", assim como o meu, dê um cheiro nele bem demorado e diga que o ama, tudo o que ele faz é pensando no seu bem.

Eitá, e Criolo mandou um cheiro!

 
"Doze torres no cais, doze torres a mais. Erro das estatais, o sangue jorra no cais. A lama, o drama, a fama dos cartões postais. O drama que emana da fome desses animais. O povo protege o Recife e seus ancestrais, por mais que se quebram e choram na beira do cais." - CRIOLO

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Mais informações:

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