Mulheres que dizem sim e não têm vergonha de ser assim.

19 de setembro de 2014


O rock é transcendental, ecoou a frase na cabeça do hippie. Nenhum susto seria se as palavras fossem pronunciadas pela tríade estendida do pai ao espírito santo que usa cabelos longos e pés descalços. Difícil de negar a afirmação: Cristo tem rock sob os pés. Provavelmente, avivou a sabedoria nos ouvidos dos primórdios anos 70, pois todas as características estéticas iluminam sua afinidade com a cultura que difundiu experimentalismo, paz, amor. Certo, o Brasil inventou o redentor. E se a máxima prega: Deus é brasileiro. Então, o rock também é. Quais as consequências de tamanhas convergências? Mulheres q dizem sim.


Primeira logo da banda.


Gerações brasileiras souberam viajar nas texturas sonoras do mundo. Calibrando o microscópio para as últimas quatro décadas da música nacional veremos que a incorporação de diversos elementos na composição de artistas resultou em: Tropicália, Clube da Esquina, Vanguarda Paulista, Manguebeat. Movimentos que buscaram constituir uma identidade musical híbrida, subversiva e transcendente, ligando diversos pontos para uma experiência harmônica original. Algo que não soasse como rock inglês, nem marcha de carnaval, nem bossa, nem samba, algo que fosse mais, algo de conflituoso, algo do espírito brasileiro, onde a arte aponta para além do universo segmentado.

Preservando essa perspectiva, a década de 90 mostrou suas mentes inventivas. Algumas bandas, hoje, esbanjam simpatia no mainstream, enquanto outras, apesar das boas críticas nos jornais da época, submergiram no ostracismo. O caso das Mulheres.




O quarteto carioca formado por Pedro Sá (guitarra e voz), Maurício Pacheco (guitarra e voz), Palito (baixo e voz) e Domenico Lancelotti (bateria) se apresentava nos shows vestindo roupas femininas surrupiadas dos guarda-roupas das mães e namoradas. Chegou a ganhar o VMB de 1996 (premiação da extinta MTV Brasil) contemplado na categoria democlipe com vídeo da música eu sou melhor que você, proveniente do único disco lançado de título homônimo à banda.

Talvez, hoje, o som dos caras pareça manjado, mas eles foram influência para algumas bandas dos últimos quinze anos, aquelas que flertaram com elementos da música brasileira, exemplo: Tono; Do amor; Los Hermanos. O som é animado, dançante, cheio de alento. Inclusive, Pedro Sá, guitarrista e vocalista da banda, tocou com Caetano Veloso na trilogia , Zii & Zie e Abraçaço.


  Domenico Lancelotti (esquerda), Maurício Pacheco (direita)
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Pedro Sá.


 Mulheres q dizem sim atingiu o transcendental à moda deles, e se o redentor não pode juntar as palmas para aplaudir, a gente junta as nossas, fincando a bandeira, afirmando ao mundo o que é nosso. Eu quero as mulheres que dizem sim e não têm vergonha de ser assim.

Este ano a banda comemora 20 anos de lançamento do primeiro disco e com sorte teremos a oportunidade de vê-los no palco. Vale a pena escutar. Abaixo segue a música cinema francês, composta pelo Maurício Pacheco. Evoé!






Imagens: Google | Repordução

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