Aquele dia com Chico Buarque

4 de março de 2015


Eu andava incrédula com a minha displicência por aquele show que ia acontecer na quinta-feira. Perguntava-me e perguntava a conta do banco onde estavam os cifrões daquele sonho platônico. Deixei de questionar a família ali reunida na sala sobre o porquê de ainda estarmos sentados sem fazer nada. A verdade é que dali a 4 horas Chico Buarque e seu avô iriam se encontrar espiritualmente, ou não, em terra pernambucana. Estava no quarto vendo algum filme chato quando minha mãe perguntou sarcasticamente se eu queria ir ao show do Chico. Alguns amigos esnobaram uns ingressos que haviam ganhado e resolveram oferecer-nos, assim, bem utopicamente.

 Assim, como em contos de fadas clichês, algum estorvo teria que ter para a princesa não ficar com príncipe no começo da história. Falta menos de uma hora para o show - disse minha mãe olhando para mim e meu pai esperando que pedíssemos ao tempo para ele continuar sem pressa. Éramos uma família de quatro, e ali havia quatro ingressos para três pessoas na sala. Minha irmã estava em uma universidade do outro lado da cidade, esperando para fazer uma prova quando eu liguei. Menos de uma hora - eu disse. Ela, atônita, desligou o celular e apenas deu para ouvir uma respiração sexual no fim da ligação, seguida por um “me espera”. 

5 minutos e eu veria ineditamente aqueles olhos verdes. Foi essa impressão de tempo que minha irmã levou extraordinariamente para chegar ao nosso encontro no teatro. Suas mãos tremiam e ela falava de forma engraçada e nervosa nos deixando levar por aquele momento. Quatro crianças esperando o fim da história feliz, em que o vilão do tempo morre e a princesa pode, enfim, ficar com seu príncipe encantado. Preto. Cortina. Sorrisos doloridos. Abriu. Foi aquele dia, com Chico Buarque

Foto: Google / Reprodução

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