Beijei uma menina

18 de março de 2015

(via)

Era verão em todas as estações do meu país e o sol gritava às tardes. Debaixo de uma árvore eu começava diariamente meu caminho a uma quimérica rebeldia. Acendia um cigarro e compartilhava essa sensação quase libertária com alguma amiga. A busca pela identidade social e o desespero pelo futuro andavam entrelaçadas nesse meu destino não-clichê.


A idade é cruel e o tempo curtíssimo quando se quer tudo com 15 anos. Eu queria o mundo, e eu jurava que ele também me queria. Entre uma tarde e um cigarro, eu beijei uma menina. A recordação do barulho do perigo me acompanha até hoje. Os risos que vinham depois de línguas, a culpa que vinha depois do óbvio, a mentira que vinha depois do medo. Foi ali, quase que por querer, eu achei que não existia o porquê .

O momento é eternizado em alguma conversa no bar, em alguma brincadeira familiar ou até em alguma crônica pra algum blog. A covardia de mim mesma não existe mais. Eu era eu. Sou eu.

Um ponto terminou algo naquele momento, iniciando logo após com uma vírgula,

Era verão em todas as estações do meu país e o sol gritava às tardes....

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