Chico: a fineza de desinventar

22 de abril de 2015


As palavras logo resolvem se perder quando Chico, atonitamente, olha nos olhos de alguém. Uma música imaginária substitui o massacre do silêncio e se faz da sala vazia, um carnaval constrangedor.

Chico não se atreve à interromper a confusa obsessão de estabelecer , ali, uma conversa de palavras. Elas são substituídas por sorrisos de 70 anos nervosos e indiscutivelmente fiéis. É possível perceber que os minutos que se sucedem são atemporais, o velho moço sabe bem porque nasceu. Ele escreveu, escreveu, cantou, ganhou, rimou e sabe se lá porque, não cansou.


O cenário parecia mais calmo depois de trovões de ansiedades e Chico já estava de pernas devidamente cruzadas afim de responder as indagações banais.
Muita história e pouco ser humano sentia-se ao longo das palavras marejadas um desconforto em sociabilizar. As ruas de Paris lhe faziam mais apreço para sua imaginação poética, onde passava temporadas afim de escrever palavras à serem vendidas aqui.
O escritor, cantor, músico e torcedor do fluminense esbravejava sua vontade de ser. Nos tempos da saudade, a gente nem tinha nascido e ele já era ele, já tinha sido levado, preso, exilado e maltratado pela censura da covardia, gritando assim, à quem mesmo não lhe quisesse ouvir, que iria passar na avenida dos ignorantes.

O fim estaria próximo e o alívio do constrangimento prazeroso também. Chico diria enfim, que apesar do apesar, amanhã vai ser outro dia.
Os olhos verdes escondiam-se na velhice e o charmoso Buarque, só queria uma taça de vinho ao fim do dia, impressão esta, que foi informada com muita ironia pela sua boca.

Imagem: Reprodução

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