A DITADURA DO AMOR LIVRE

6 de maio de 2015


A tatuagem fictícia estampada no rosto dos personagens ilustra um tempo onipresente. É possível notar uma criação factual naquele cenário colorido e embaraçoso. A ousadia de Hilton Lacerda de emaranhar o exército e o teatro em períodos de silêncios obrigatórios deu voz a uma liberdade nos espectadores.


    “Nossa arma é o deboche” – aclamava o protagonista do filme logo no início, ocasionando uma analogia certeira no que estaria por vim. Entre cortes no tempo real houve câmeras trêmulas mostrando  bastidores de si mesmos, a vida do teatro filmado por um anônimo que observava junto, a liberdade diária das demonstrações dos artistas.



    As palavras que saíam dos atores eram cheias de gírias e sotaques reais, uma familiaridade regional que fez jus. O lema do filme é objetivo: chocar, refletir e mudar.  Uma comparação com o 1970 de lá  e com o 2015 daqui pode ser feita assim que um amor intitulado de livre é oferecido. A nudez brasileira com a paixão entre iguais  deixou a almejar um roteiro mais conciso de originalidade. Porém, o que não sai de moda é esse acordo vitalício com o futuro: liberdade de expressão a todos. E por assim ser, o enfoque do filme fica nessa impotência com a expressão enquanto a potência prende a liberdade.




  A ditadura do pecado é abandonada pelos que só querem a arte como resposta, os personagens falam e repetem em diversos momentos esse jeito efusivo de querer alguma coisa sempre, e acabam tirando um pouco de cada um, e o que se pode tirar em eras de lágrimas reprimidas.



    O filme incomoda em qualquer ano, em qualquer espaço, em qualquer absurdo. Ele escracha com a graça no palco, ele estreia o fim e inaugura o futuro. Tatuagem te faz perguntar se a democracia é livre. E ele te responde.

Imagem: Reprodução

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