O meu primeiro sorriso

13 de maio de 2015


Ana me contou que rindo, eu iria rir de mim. Resolvi, assim, sorrir. Que estranho momento de delicadeza e angústia tive. Sentimentos perturbados entre meus lábios e minhas bochechas foram brotando juntamente a uma certeza inexplicável. Meu esforço em abrir minha boca foi tão árduo quanto amar a mim. Levei com um humor negro esse lance de sorrir por querer.  O fiz porque queria, e, porque sou curiosa em saber a sensação que enxergava no outrem quando a felicidade ou falsidade chegava em seus dentes. Mas o que eu quis mesmo era saber como era essa besteira de sorrir. Meu medo louco era enjoar do barulho da minha risada ou querer abafar uma gargalhada de lágrimas ou até mesmo um olhar de sorrisos.

Meus sinceros apelos a graça da situação fez de mim uma boba tentando fazer algo pela primeira vez. Entendi que o gesto daquela pessoa me mandando fazer algo tão ingênuo e desafiador pra mim, não seria nada além de uma ordem libertária. Minha estranheza em mostrar-me que rir de mim seria, então, amar.
Ana me contou, segundos depois, que eu soube rir. E fui rindo, então, de mim.

Imagem: Reprodução

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