Um comunista disfarçado

20 de maio de 2015



Ele sentou na cadeira com um violão e a atenção conjunta já era vista naquele ambiente de poucos amigos. O menino era negro e dono de um sorriso nada tímido. Seu talento entre os dedos ofuscavam qualquer teoria contra ele. Pessoas ofegantes por prazer cercaram o espaço daquele moço que só fez tirar seu instrumento de um bolso grande sem ordem aparente.
Assustado pela mudança de clima, o quente dos corpos se estabeleceram ali, ergueu seu bom humor e antes que pudessem solicitar algum som, vomitou o refrão antes da música.
Com o dedo apontado para os céus resolveu tratar logo de externar sua ideologia cara. Orgulhoso de seu discurso, ele recriminava as barbas do público e elogiava o dinheiro capitalista. Ele não se achava menino moço e com voz de homem alfa politizou os costumes e a cultura. Parecia tão indiferente a vida. Mas se dizia leitor de obras consagradas e ainda promovia amores sinceros por pessoas.

Alguns assistiam incrédulos, outros crédulos pela igualdade compulsiva da maioria. O menino negro respirava uma doutrina inventada por ele e sem vergonha aclamava para ser ouvido pelos que acreditavam no seu papo de burguesia eterna.
Os minutos da falação prologaram por vinte minutos interruptos fazendo com que o tempo se esfriasse. E o gelo nas caras estampadas na plateia não comprada foi derretendo depois do momento seguinte. O menino então, se cansou. As palavras estavam satisfeitas e era a vez da música falar.
No sol de quase dezembro, eu vou..”, cantou o comunista disfarçado.

“Caminhando contra o vento, sem lenço e sem documento, no sol de quase dezembro, eu vou..”, cantou o comunista disfarçado.

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