“Samba”: como a dança | Um divertido drama contado pelos franceses

22 de julho de 2015

(Imagem: Google / Reprodução)
É inegável a analogia imediata ao título do filme. A curiosidade traz à tona uma ligação real ao enredo da trama. A começar pelos seus diretores, os franceses Eric Toledano e Olivier Nakache que não se deixam esquecer por sua obra anterior , o filme “Intocáveis”.

A relação silenciosa e conturbada dos imigrantes na França é retratada no filme de forma menos profunda e mais leve aos olhos do espectador. Samba é o nome do personagem principal, protagonizado pelo ator Omar Sy, que luta para se manter no país com a ajuda de uma agente de imigração (a atriz Charlotte Gainsbourg).

A mistura do semblante pendente e abatido de Gainsbourg com o sorriso largo do protagonista causa uma sensação ilusória ao drama existente. É possível sorrir,quase que em todos os momentos, com a tristeza nos olhos dos personagens. Mas isso, só é possível pela entrega da não dramatização da realidade, o filme não quer escancarar as feridas cruas da imigração. Ele apenas avisa que é precisoenxergar a beleza humanística, e que será feito,sem pudores, através de risos. A graça consiste em acompanhar a trama com algumas sonoridades brasileiras (entoadas por Jorge bem Jor e Gilberto Gil) e suas sutis referências ao Brasil.

Há um grito pela aceitação da cultura alheia. A polêmica dos imigrantes na Europa é tão atual quanto o amor entre diferentes etnias. Porém, o grande questionamento do personagem principalfoi a sua falta de identidade. Ele, por ser um estrangeiro ilegal, indaga sua existência justa no país. Ocorre então uma pausa pensante no filme, e o desfecho revela-nos algo mais complexo do que imaginaríamos no começo.

O filme dança de acordo com o ritmo de seu roteiro (baseado no livro de DelphieCoulin) e faz jus ao nome. Ao final, chegamos quase que exaustos pela a mudança da calmaria de ritmos para a agitação de passos dançantes. Assim, com atuações de olhares angustiantes e rostos confortantes, Samba então berra para que não nos esqueçamos de que ele só quis dançar mais uma vez.


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