A nudez da mulher

22 de fevereiro de 2016

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Deixe-me entrar em ti. Estou aflita aqui fora, há rumores de tempestades repetitivas e eu não as quero ver. Quero me espremer em teu ventre e fingir que sou surda de ouvidos que escutam. Aqui existem dedos enormes de homens insanos por mais dedos, eles pisam em nós injetando morfina a fim de desapegar de uma dor existente. Neste mundo, não há beleza com pelos selvagens, eles abafam nossas peles com um cheiro cruel. Aqui, já nos queimaram por ser fiel, já nos calaram por falar, já escureceram nossos seios que buscavam a luz. Me tira desse abismo de bocas piedosas, desse silêncio esquecido pelas palavras do homem, dessa crença de amar por dois ou de amar por nenhum. Preciso que ouças meu medo, que escute meu rosto balançar com a música inexistente, que veja meus braços ao alto protestar contra a paciência. Quero me confortar na tua graça e ser feia, ser nua, ser gorda. Aqui fora elas choram. Aqui fora elas temem. Aqui fora elas apanham. Aqui fora elas são eles. Deixe-me entrar em ti, mãe.

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