COMPARTILHANDO | Onde o nosso "eu" foi parar?

31 de maio de 2017

Arte: Rebecca Mock

Essa semana, saiu um estudo que me deixou um pouco preocupada - porém, não muito surpresa. A instituição de caridade britânica Royal Society for Public Health publicou um relatório, chamado Status of the Mind ("Status da Mente"), que tinha como objetivo de entender de que maneira as redes sociais influenciam na saúde mental dos jovens. Assim, eles analisaram as mais populares - Youtube, Twitter, Instagram e Facebook - e chegaram a uma resposta.

O Instagram é a rede social mais propensa a provocar ansiedade, depressão, má qualidade de sono e insatisfação com o próprio corpo nos jovens. Além disso, eles perceberam que a ansiedade e a depressão em jovens aumentou 70% nos últimos 25 anos. E, sim, as redes sociais têm uma grande influência na alimentação de expectativas irreais e sentimentos de inadequação.

Eu já me senti triste por não parecer estar "aproveitando a vida" tanto quanto as pessoas que sigo nas redes. De não ser tão legal, tão bonita ou tão inteligente quanto. Vocês já se sentiram assim? Todo mundo sempre parece estar muito melhor que a gente. Sem contar sobre essa pressão que é própria da nossa geração: não temos sucesso, fama e fortuna aos vinte e poucos anos.

A comparação está nos adoecendo, está nos tornando ansiosos e depressivos. Nossas expectativas estão cada vez mais altas e estamos cada vez mais insatisfeitos, buscando por algo que nunca chega (e que, provavelmente, nunca vai chegar). Seguimos o que os outros fazem, sem pensar de verdade se nos completa. Se o outro está feliz fazendo X, então provavelmente eu estarei feliz fazendo X também. Mas antes não seria interessante pensar se X faz sentido para a gente?

Não sei vocês, mas ando cansada disso. De ser massa de manobra, mais uma voz no meio da multidão que fala as mesmas coisas o tempo todo. Tomar a realidade do outro como verdade tem nos impedido de ver a beleza da nossa própria vida, das nossas próprias particularidades - de coisas que só a gente tem, e mais ninguém.

A grama do vizinho sempre parece mais verde que a nossa, mas não adianta continuar olhando para fora do nosso quintal. Estamos deixando a comparação guiar as nossas escolhas, ao invés de perceber como podemos construir a nossa vida respeitando a individualidade. Assim, de tanto olhar para o vizinho, acabamos esquecendo de regar nosso próprio jardim.


Beijo, Gabi.
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Há uns tempos recebo os "correios" da Gabi e muitos tenho vontade de compartilhar aqui com vocês. Se você quiser saber mais sobre ela é só clicar aqui. Até mais.

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