Catarina

1 de março de 2018


Recife, 25 de janeiro de 2018.


Querido diário,

Hoje, ainda agorinha de tarde, dentre as brisas tão constantes do meu quarto, pude entender. Parei, na maior força das brisas, em frente ao espelho e me olhei, nua, eu me olhei. Analisei cada pedaço do meu corpo com amor, com um amor que eu nunca havia sentido mais forte. Senti cada parte do meu corpo pulsar de alegria em ter sido reconhecido. Como se dissesse: Eu estive aqui todo esse tempo, que bom que você agora pode ver! E fiquei ali, em frente àquele espelho, sorrindo e amando a mim mesma e me reconhecendo como minha própria melhor amiga, como minha companheira de luta. A mais inseparável das companheiras. Que sentimento bom!

De pronto vários pensamentos passearam pela minha cabeça e o mais latente deles era a tal da maturidade, da aceitação de quem se é, como e de que é feito. Amar cada átomo em si que te carrega. Maturidade. E de tantos pensamentos vagueando em mim, fui parar no meu nome. Me olhei de novo no espelho e disse: ANA. Nada aconteceu, nenhuma dica de que essa era eu, tentei de novo: CATE. Nada. Entendo que essa era eu dias atrás, mas algo me diz que já não sou mais como leio a mim mesma, mas como sou lida. CATE não me condiz, aos olhos alheios, não tenho sido mais essa maloqueira que carrega esse apelido como seu alter ego, seu eu descontraído, desinteressado... eu já não sou essa moleca. Nunca antes o nome CATARINA me coube tanto. 

Quando o lancei em minha face no espelho em alto e sonoro tom CATARINA, pude me entender completamente, acho que os nomes que vão nos dando ao longo da vida nos definem por muito tempo. Já fui Tat, Já fui Aninha, Já fui Cate e agora tô mais do que sempre CATARINA. Em breve acredito que serei mais ANA CATARINA e depois, como minha avó, serei somente DONA ANA.

Autora: Catarina Oliveira.

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